O governador Mauro Mendes (União) voltou a criticar a pauta ambiental internacional e defendeu a soberania das leis ambientais brasileiras, em especial sobre o desmatamento.
Não podemos abrir mão de gerar riquezas para tirar o Brasil da pobreza. Isso agrada meia dúzia de ambientalistas
Em resposta à proposta de “desmatamento zero”, que deve ser reforçada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante visita à aldeia Piaraçu, em São José do Xingu nesta sexta-feira (4), Mendes afirmou: “Não podemos abrir mão de gerar riquezas para tirar o Brasil da pobreza. Isso agrada meia dúzia de ambientalistas que estão a serviço dos nossos concorrentes e não dos brasileiros”.
Mendes se refere às ameaças de embargos internacionais, em especial de países europeus, para a exportação de commodities do agronegócio brasileiro.
Para ele, é necessário separar as demandas de “desmatamento zero” com o “desmatamento ilegal zero”. Isso porque, a legislação ambiental brasileira permite o desmatamento, estabelecendo percentuais de preservação a cada bioma.
“Antes de combater o desmatamento, ou defender isso, o governo [Lula] tem que se preocupar em combater o desmatamento ilegal zero. Temos que acabar com as ilegalidades nesse país. Não podemos tirar o direito das pessoas de se desenvolverem”, afirmou.
O governador citou o caso de Autazes, no Amazonas, onde tem uma das maiores reservas de potássio do País, e que, se explorada pode diminuir a dependência do agronegócio brasileiro às importações de fertilizantes.
“Quer dizer, se encontrarmos fertilizante em algum canto aqui dessa parte do Brasil, não vamos poder explorar, porque não vamos poder abrir um campo de futebol?”, questionou.
“Vai desmatar quatro ou cinco campos de futebol [em Autarez]. Isso é uma grande areia em todo o nosso território. Vamos abrir mão disso, porque ambientalistas de fora querem?”, acrescentou.
“Queremos preservar”
À imprensa, Mendes ainda ponderou que é preciso preservar, mas voltou a criticar o que considera “ingerência internacional” sobre a política ambiental brasileira.
“Nós brasileiros queremos preservar! Não precisa de ninguém meter o dedo na nossa cara. […] Agora, nos respeitem no direito de também desenvolvermos, gerarmos riqueza”, completou.
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