As influenciadoras digitais da região metropolitana de Cuiabá, alvos da Operação Quéfren, deflagrada pela Polícia Civil do Ceará, nesta quarta-feira (2), foram identificadas como Mariany Dias e Emilly Souza. A primeira é estudante de odontologia.
A investigação mira um grupo formado por influenciadores digitais e agentes de plataforma de jogos online de azar, conhecido como “jogo do tigrinho”, suspeitos de estelionato, lavagem de dinheiro e delitos contra a economia popular.
Mariany foi detida em Várzea Grande, pela Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes de Cuiabá, que deu apoio à operação. Contra ela, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
Em seu perfil no Instagram, Mariany tem 31,6 mil seguidores e faz a promoção de uma plataforma de jogos online. Nos stories, ela divulga supostos ganhos de seguidores com as apostas e uma transferência de R$ 4 mil que teria recebido por meio do jogo.
Na maioria de suas publicações no feed, ela mostra a rotina como estudante do quinto ano do curso de odontologia na Univag (Centro Universitário de Várzea Grande), e ostenta viagens sozinha, com a família e compras.
Já a influenciadora Emilly Souza, que ainda não teve mandado de prisão cumprido por não ter sido localizada, tem 95 mil seguidores. Em sua biografia, ela se descreve como “modelo e jogadora”. As publicações de Emilly são de viagens internacionais, comprando carro e até uma foto após cirurgia plástica.
Entre seus destinos, divulgou fotos nas Maldivas, Suíça, Japão, Caribe, França, República Dominicana, Chile e Argentina. Segundo a Polícia, as viagens eram bancadas pelo grupo criminoso para iludir seguidores de que as apostas eram prolíficas.
A Operação
A investigação da Polícia Civil do Ceará teve início em abril de 2024, e apura a existência de uma organização criminosa articulada de caráter transnacional que movimentou R$ 300 milhões em um período de dois anos. Até o momento, nove mandados de prisão foram cumpridos. Além de Mato Grosso e Ceará, as ações ainda são cumpridas em São Paulo e no Pará.
Foram expedidos 13 mandados de prisão, 17 mandados de busca e apreensão, 23 mandados de busca de veículos e 15 mandados de bloqueio de bens e valores pelo juízo do 1º Núcleo de Custódia/Garantias da Comarca de Juazeiro do Norte (CE).
Com milhares de seguidores, os influenciadores gravavam vídeos e imagens com ganhos fictícios em plataformas de cassino online e postavam em suas redes sociais para captar maior número de apostadores.
Os investigados também utilizavam conta “demo/teste”, que permite testar a experiência de uma plataforma de negociação sem arriscar dinheiro real, para iludir os seguidores.
Segundo a Polícia, o grupo integra uma rede que negociava e indicava outros influenciadores, diretamente com chefes das plataformas, que têm como proprietários pessoas que residem no exterior, em sua maioria na China.
Os influenciadores digitais eram remunerados de diversas maneiras, desde o pagamento pela simples colaboração com divulgação da plataforma, pela quantidade de novos usuários cadastrados, ou receberiam comissão pelos valores depositados pelas vítimas nas plataformas.
Além do pagamento de valores, os chefes das plataformas também pagavam viagens para o exterior para os agentes e influenciadores cujas viagens eram ostentadas em suas redes sociais como sinônimo de prosperidade com o jogo. Já os agentes de plataformas eram os responsáveis pela contratação dos influenciadores, além de realizarem festas de lançamento de plataformas.
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